Guarda compartilhada requer maturidade e bom diálogo entre os pais

Apesar de ter surgido há mais de 20 anos na Inglaterra e há 10 anos no Brasil, foi somente em 2014 que a guarda compartilhada passou a ser regra e não exceção quando se trata da custódia legal de crianças e adolescentes em nosso país. Entretanto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 86,3% dos casos, a guarda ainda fica com a mãe e em apenas 12% é compartilhada.

A guarda compartilhada é aquela em que a criança mora com um dos pais, de forma fixa, mas ambos os genitores se responsabilizam pelos direitos e deveres da paternidade e da maternidade. Segundo a psicóloga Marina Simas de Lima, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal, esta forma de guarda reforça a importância da presença tanto da mãe quanto do pai para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, além de reconhecer a igualdade de direitos entre os cônjuges na educação e na convivência com os filhos.

“A guarda compartilhada foi feita, principalmente, para atender aos interesses e às necessidades das crianças e adolescentes. Ela ajuda na formação, no desenvolvimento e minimiza os sentimentos de abandono, rejeição e culpa que os filhos podem sentir quando os pais se divorciam. Além disso, promove o direito a convivência e à educação de forma igualitária entre o pai e a mãe”, diz Marina.

Medo de perder os pais
O divórcio é uma situação que deixa marcas em toda a família. Para a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo, terapeuta de casal, família e cofundadora do Instituto do Casal, a união dos pais é um porto seguro para a saúde física e emocional dos filhos e a separação pode ameaçar essa base.

“Um dos aspectos positivos do divórcio para as crianças é não presenciar mais os conflitos parentais. Por outro lado, a separação para os filhos significa a redução da convivência com um dos pais. Muitas crianças podem se sentir abandonadas, rejeitadas e até mesmo culpadas pelo divórcio. Como o maior medo dos filhos na separação é perder os pais, ambos precisam trabalhar para afastar esse temor e a guarda compartilhada é uma excelente maneira de fazer isso”, comenta Denise.

Guarda compartilhada não é para todos
Embora a guarda compartilhada tenha diversos benefícios, como vimos, ela também tem algumas desvantagens. “Quando os pais passam por muitos conflitos, não conseguem dialogar, não são cooperativos, sabotam ou desautorizam um ao outro perante os filhos, a guarda compartilhada pode não ser a melhor opção”, diz Marina.

As terapeutas comentam que é preciso que os conflitos conjugais tenham sido bem resolvidos e que o casal esteja maduro para conviver e para tomar decisões juntos sobre a educação e o bem-estar dos filhos. “Do contrário, a guarda compartilhada será prejudicial para a saúde emocional das crianças e adolescentes, que estarão no meio dos conflitos dos pais”.

Terapia de família pode ajudar
De todas os formatos de custódia de menores de idade, a guarda compartilhada é uma possibilidade que tem mostrado benefícios. “Os ajustes podem ser necessários no começo e a terapia de família ou até mesmo de casal pode contribuir para mediar os conflitos e para ajudar o pai e a mãe a encontrarem recursos que possam assegurar o sucesso deste tipo de guarda”, comentam Denise e Marina.

“Na nossa pratica no consultório vemos que ainda há dúvidas sobre o modelo da guarda compartilhada. Com isso, os pais acabam fazendo diferentes tipos de combinados, mas sempre pensando no bem-estar da criança ou do adolescente. O mais importante de tudo é que os genitores mantenham um bom diálogo, buscando a uniformidade na disciplina e na rotina do filho para o bem de todos”, comenta Denise.

Por fim, as terapeutas lembram que é muito importante que os filhos sintam que há lugar para eles na vida do pai e da mãe após a separação, mesmo porque a paternidade e a maternidade são vínculos que nunca deixarão de existir.

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